Encontre a felicidade dentro de si

Esta oficina da felicidade vai ajudar-lo/a a trabalhar a sua mente e a sua alma.

E, acima de tudo, vai poder experienciar a doce sensação de silenciar os pensamento

Encontre a felicidade dentro de si

Encontre a felicidade dentro de si, com as técnicas que vai levar consigo, à semelhança do que fazem as grandes empresas como por exemplo a Google, a Intel, a Target, a IBM e a General Mills.

O rol de praticantes famosos vai da apresentadora de TV Oprah Winfrey ao jogador de basquete LeBron James, a Ray Dalio, (segundo a Forbes, um dos homens mais ricos do mundo), a Martin Scorsese premiado cineasta, ator e produtor de cinema.

O bem-estar espiritual, a felicidade, a serenidade e a paz fazem parte do nosso propósito de vida. E saiba que podemos recorrer à meditação mindfulness, ou atenção plena, como uma das formas de os vivermos plenamente.
Saia do piloto automático e desfrute do prazer de viver.


Trabalho a área de desenvolvimento pessoal há mais de duas décadas. Juntei-lhe a experiência clínica e desenvolvi, para si, este programa de meditação mindfulness que o/a vai ajudar a viver como sempre quis viver.

Este workshop será dinamizado na “Estudos e companhia” – Avenida Comendador Augusto Martins Pereira n.º 67 3740 – 310 Sever do Vouga

3 horas – sábado 9 de Junho das 14.30 às 17.30 – 25 €
Inscrições e informações: tel. 932996559, www.fernandaafonso.pt @DraFernandaAfonso

A minha vida noutras vidas

Vidas passadas…

Preciso mesmo falar consigo. É sobre aquilo das vidas passadas…”

Então…? Questionei eu. Foi um “então” que o incitava a desenvolver o assunto.
Hum…. (Continuo a esperar que diga o que lhe vai na alma…)
Pois, fui a uma senhora na semana passada. E não é que ela me disse que na vida passada fui um padre? A partir daí tenho andado desanimado, a sentir-me culpado, olhe nem sei….
Um padre?, perguntei eu.
Sim. Vivia num convento, dormia com as freiras todas, até fiz um filho a uma, pelos vistos. Parece que eu era mesmo um grande filho da mãe…
Arregalei os olhos esperando o desenrolar da história.
E numa batalha qualquer, entreguei os monges todos para me salvar. Foi uma chacina dos diabos.
Estou a ver, disse eu.
Sei que trabalha com estas coisas. É que nem sei o que hei-de fazer agora.

A possibilidade de ter vivido outras vidas, antes desta, faz sentido para si? perguntei eu.

Respondeu-me com um “Faz, Drª.”
E se acredita que viveu outra vida, terá sido, em toda a eternidade, só esse monge sacana, ou terá sido mais alguém?
Não sei. Se calhar fui outra coisa qualquer…
E se tivesse sido freira? Professor universitário, médico, pedreiro, lojista, condutor de charrete, costureiro, calceteiro, agricultor?
Pois eu não sei! Mas provavelmente terei sido esses todos… E como é que eu sei? Se calhar fui muitas coisas….
E esses inúmeros personagens que foi, terão sido sempre, sempre, sempre maus? Perguntei eu.
Acho que não. Não faz sentido., disse ele.
Então, provavelmente, também desempenhou bons papeis… provavelmente foi homem, mulher, adulto, criança, rico, pobre, bom, mau…
Sim, claro!

Então poderá ter vivido p´rá aí umas 573 vidas antes destas… e se assim tivesse sido, lembrar-se-ia delas? Não! acho que não Drª!

Então qualquer pessoa poderá dizer-lhe que viveu uma vida qualquer e o Luís não poderá confirmar nem desmentir isso, certo?
Já sei onde quer chegar, Drª! Afinal não tenho motivos para me preocupar…
Olhe, acho que a doutora foi adivinha na vida passada. Ah ah ah ah ah ah

Meditação Mindfulness – a arte de viver

Meditação mindfulness

O que é de isso de meditação, Dra.?

“O que é de isso de meditação, Dra.? A minha mulher começou, lá na Junta, a fazer meditação e diz-me que eu também precisava… Acredite, até fiquei “lixado” … não tenho tempo para essas coisas…”

“Sou um homem de trabalho. Levanto-me ás 6.00 da manhã e começo logo a tratar dos animais. Tenho 10 porcas prenhas, um raio dum veterinário a dar-me cabo da cabeça, duas garotas que só querem roupa da Zara e uma carga de trabalhos com os gatunos das finanças.”

“Não me apetece ir para aquele bando de mulheres que se sentam no chão e cantam coisas estranhas….”

“E o que pensa disso?” Pergunto eu, na tentativa de colher mais informação

“Há lá um rapaz da aldeia que estudou fora e veio com umas coisas de meditação e yoga e mais não sei quê. Agora é um corrupio para a Junta à quarta feira à noite…”

“Hum… e a sua mulher, como é que se ela lhe parece?” “Agora que fala nisso, está mais calma.”, disse ele.

“Mais calma?” Pergunto eu. “Sim. Antes não se podia aturar, era eu, eram as filhas, até o cão ía a trote… agora está muito mais serena, mais mansa…”

“Para além da meditação, aconteceu mais alguma mudança na vossa vida, Luís?”  “Não, Dra., não aconteceu mais nada…”

“Luís, se calhar as quartas à noite estão mesmo a fazer bem à sua esposa.”

“E se eu lhe dissesse que pode também fazer meditação sem se sentar no chão e cantar coisas “estranhas”?

Repare, meditar começa por sermos capazes de libertar a mente de pensamentos. Então, quando vai cuidar dos porcos, dos bezerros e da criação pode fazer isso. Basta-lhe focar-se no que está a fazer. Contemplar, sem julgar, os animais, as plantas, o vento… Ouvir os sons sem estar a pensar donde vêm, para onde vão, se gosta ou não gosta… quem ou o quê está a produzir os sons…. Então e se for algum gatuno? Bom, nesse caso, como a sua mente está muito em paz, consegue, de imediato, alertá-lo para uma situação de perigo e age imediatamente. Parece um contra-senso, não é? Mas é verdade.

Quando vai levar as ovelhas para o monte, desfrute desse caminho, do silêncio… não queira estar noutro sítio, apenas onde está nesse momento…

Sinta na face, a brisa da manhã, o calor da tarde, os pingos de chuva dos dias chuvosos… limite-se a estar e desfrutar do que faz a cada momento. E se a sua mente começar a divagar, traga-a de novo para o agora e pode começar a focar-se na sua respiração… na sua inspiração e na sua expiração… sentindo cada ciclo respiratório como se fosse o único que pode viver…

E quando almoçar, sinta cada mastigação como se fosse única, sinta os sabores dos alimentos a invadirem a sua boca, a temperatura da água a despertá-lo para saborear as dádivas do dia a dia…

Quando escova os dentes, sinta o cheiro da pasta de dentes, o sabor, as cerdas da escova nas gengivas, a frescura quando exala…

E quando for às compras com as sua filhas, delicie-se com a felicidade delas quando descobrem uma peça que tanto queriam…  e a doçura da sua esposa… viva-a intensamente como se fosse um momento único que vai querer guardar no seu coração…”

“Meu Deus Dra. … só de a ouvir já estou mais em paz…. Então isto é meditar?”

“Sim, Luís. Na próxima vez que falarmos vamos voltar ao assunto e acrescentar umas quantas coisas. E já vai trazer mudanças, vai ver!”

Fernanda Afonso

 

Da Série “conversas improváveis com grande probabilidade de terem acontecido”

 

Dinheiro é mau?

“Dinheiro – porque é sempre tão mau, doutora?”

Provavelmente terá começado assim uma conversa improvável.

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Valores e a sua fragilidade

Valores – uma reflexão

Hoje, quase por acaso, tropecei em Nietzsche. Isto depois de ter sonhado com a mudança e com a fragilidade dos nossos valores.

Acordei ainda com memórias frescas do sonho que me levou por terras desconhecidas e com uma amálgama de realidade e ficção.

Não vou maçar-vos com o meu sonho mas foi inquietante! Algumas das cenas favoritas da minha infância fizeram-me uma visita. Todos temos cenas favoritas de quando éramos pequeninos, não e? Lembramo-nos dos nossos sorrisos, dos sapatinhos de verniz, daquela roupa tão especial mesmo da cor da moda… do conforto dos abraços e dos miminhos, do cheiro do bolo da avó, do sabor do arroz de galo da mãe…

Cresci numa aldeia e, no Inverno, brincava com a água das valas que vinha lá de cima dos pinhais. Era água fria e barrenta porque trazia consigo pedaços de terra que apanhava no caminho. Com bugalhos e pedacinhos de cana, construía moinhos que moíam os grãos para cozer o pão nas histórias que eram só minhas.

E foram algumas dessas memórias que coloriram o meu sonho. Em que andava descalça porque era bom para fortalecer os pés e hoje é mau porque nos constipamos, porque nos sujamos ou porque é deselegante…

E esta menina trigueira de olhos castanhos falava com um personagem claramente fruto de outros filmes. Comiam “caganotes”, assim chamava aos pequenos bolbos das azedas, flores amarelas que floriam no inverno, e voavam como se fossem pássaros a espiar outros tempos. Como se fossem histórias saídas da caneta de algum louco… tantas coisas estranhas e diferentes. Tantas coisas vistas de outros ângulos que acabam por parecer aberrantes.

Lembro-me duma rapariga num cais à espera do barco, que se transforma em canoa e desce o rio. Lá em baixo, dois homens digladiavam-se até à morte tentando, cada um defender com a vida, a sua honra.

As cenas sucediam-se numa velocidade estonteante como se estivessem a acontecer todas ao mesmo tempo.

E eu acordei com aquela sensação estranha de ter participado noutros contos…

De facto, assim dizia Nietzsche “Todas as coisas «boas» foram noutro tempo más; todo o pecado original veio a ser virtude original.” Aquilo que hoje é deixa de ser amanhã. O que parece ser certo hoje, parece ser errado amanhã. O que é valorizável hoje é desprezível amanhã.

Afinal temos muito pouco, ou quase nada, de constante na vida. Até os valores mudam. Antes era necessário lavar a honra com a morte do opositor, hoje chamamos-lhe crime. Antes havia purgatório, hoje o Papa diz não haver. Antes, a gordura era formosura, hoje é uma patologia.

Antes havia escravatura, hoje todos nos unimos para a combater.

Antes, trabalhar era uma desonra, hoje é um direito…

Acreditar em modelos de pensamento imutáveis parece não ser o caminho. Aliás é o caminho para a divisão, para a discórdia, para as lágrimas de culpa, de medo, de raiva… Acreditar que possuímos a razão como se nos pertencesse por direito leva-nos ao sofrimento a nós e aos outros.

Perceber que, se nada mudasse, não havia vida como a conhecemos, é o primeiro passo para podermos relaxar e perceber que, afinal, tudo está como pode estar.

Voar como um pássaro, apenas observando lá de cima, do alto, ajuda-nos a ter uma nova perspectiva de vida.

E talvez possamos agora olhar para nós e para os outros sabendo que, como refere o pensador “Todas as coisas «boas» foram noutro tempo más e todo o pecado original veio a ser virtude original “ . (Friedrich Nietzsche, in “A Genealogia da Moral”)

Fernanda Afonso