Alívio da alma

Alívio da alma

Um dia olhei simplesmente para trás e senti, na alma, a liberdade de sentir!

Parece patético mas foi exactamente como me senti – livre para sentir!

Trouxe à minha mente todas aquelas pessoas que fizeram tudo para me provocar danos, ao longo do meu percurso. E, pessoa por pessoa, olhando-as profundamente nos olhos, disse-lhes para irem. Para seguirem  os seus caminhos. E agradeci-lhes, uma a uma, terem-me ajudado a confiar em mim, na minha capacidade de perdoar. Na minha capacidade de perceber que todos podemos decidir deixar de ser vítimas. Agradeci por me terem permitido reflectir, meditar, aprender e mudar. Agradeci terem-me ajudado a abrir a mente, o coração e a alma e a estar receptiva a novas formas de sentir e viver a vida.

Chamei-lhe perdão porque era a palavra que conhecia na altura.

Hoje chamar-lhe-ia “alívio da alma”.  Ou, tão só, “liberdade”!

Sinto que tudo acontece sem ser por acaso. Que existe uma ordem maior que não conhece mas posso acreditar que existe. E a isto chamo fé!

De repente, sem me ter dado conta, tudo fez sentido como se a minha mente estivesse totalmente aberta e receptiva ao mundo espiritual. E recebesse a força e a determinação para aceitar um bem maior.

Ainda hoje esperneio e praguejo, por vezes. Quando sinto uma dor lancinante. Qual de nós não espernearia se lhe abrissem a garganta a sangue frio? Mas depois, olhando para trás, percebemos que isso significou a diferença entre a vida e a morte. Se não tivesse havido alguém a fazê-lo teríamos asfixiado e morrido… então, depois da dor tamanha vem a calma e o agradecimento.

Agradecer a quem nos feriu, mesmo que a intenção não fosse ajudar-nos a viver melhor, mas se isso nos ajudou a seguir em frente mais fortes, é libertador.

Poder olhar para quem nos feriu e agradecer, de coração, é sentir a conexão com o Divino.

E eu sinto-me conectada com a Luz!

Fernanda Afonso